Meu Primeiro Soneto

(Escrito em: 11 de junho de 2018)

À noite a escuridão não se restringe ao momento
A treva subjetiva é despertada de repente
O medo surge num manso movimento
E então me torno recluso, ausente

Tomo minha dose de humanidade
Tentando encontrar solidez em meus atos
Mas me perco em minha tenra idade
Já não consigo acompanhar os fatos

Com mais desânimo que calma
Encaixo minhas psicoses à vida
Embora já tenha perdido até minh’alma
Enquanto se acumula mais uma ferida

Degusto o preconceito transpassado
Sem imaginar qual a decisão correta
Ainda que não tenha feito pecado
Ser alguém melhor já fugiu de minha meta

Quanto a incerteza pode machucar?
O tropeço pode levar à mudança
Tenho vontade de partir, mas medo de errar
Que é preciso para manter a esperança?

Leio meus papéis contendo uma triste estória
Então sinto pena por aquele enredo cruel
Mas faço outra coisa e tudo foge da memória
Deveria descer profundamente ou subir ao céu?

Distraio-me com uma inocência qualquer
Mais alguém de morada passageira
Ou quem sabe minha futura mulher?
Não sei, mas está acabando a lenha na fogueira

O movimento dos planetas é notável
Sem temer segue a mesma rotina
Encontrando obstáculos, mas sendo estável
A instabilidade que sempre me assassina

As dúvidas entrelaçam minha mente
Quanto risco estou correndo nesse instante
Devo pensar no futuro ou no presente?
Quem sabe a escolha seja irrelevante

O que significa todo esse embaraço?
O controle parece deixar de lado a razão
Não sei se mudo tudo ou continuo o que faço
Talvez ainda haja o vestígio de um coração

Comentário dia da escrita (11/06/18): Fazia tanto tempo que não escrevia um poema que confesso que deu trabalho.

Comentário dia da postagem neste site (10/10/18): este talvez tenha sido o texto mais difícil o qual já escrevi. PS: Existem dezenas de tipos de sonetos, favor não julgar que este não seja um caso não conheça todos os possíveis.