(Escrito na data de postagem)
Hoje se escutam menos barulhos,
As luzes foram poucas para notar.
Da minha janela vejo quadros
Com ações e risos enclausurados,
Movendo seus tímidos cumprimentos
Também me enxergam como quadro.
Nove meses de gestação passaram,
Contudo não houve eclosão alguma.
Por meses no ar circula a sombra
Escondida em seres similares…
Ainda que eu tenha esperança
Esse vírus me esgota a rotina,
Quando terei a vida de volta?
Adaptar-me-ei a esta nova sina?
Contudo este ano sinto algo maior,
A serenidade prometida há de vir.
Claro, matarei alguns leões,
Esta é a graça de progredir.
Cerrando as cortinas e tímpanos
Me agarro ao calor do casulo,
Imagino a monótona paz aclamada
E passo a rir dos pensamentos,
A paz em muito pouco me fascina,
Prefiro esta tormenta que alucina.


