(Escrito na data de postagem)
Situações formam pegadas, deixam rastros.
Essas marcas e farpas, tão fortes, ora fracas,
Destacam a obscuridade dos pensamentos.
Vontades contraditórias e decisões infames
Fazem o questionamento ser acionado.
Estigmas do passado afetam o atual,
Tremendo estruturas antes tão sólidas,
Parece que outro rumo irá prevalecer.
Olhos que sonham, imaginando o impossível,
Pensando no perfeito, no abstrato total,
Outrora olhos clamando em vazio, desprezo,
Por não suportarem as escolhas ou o acaso.
Tanto a ser considerado que consome, cansa,
Estes olhos e o destino tomam passo em dança.
Toda escolha tão repleta de concessões,
Faz o ideal ser tentado como meta diária,
Frustrações são forjadas e empacotadas,
Imaginar plenitude é rolar dados em náufrago.
Calmaria antes desejada, buscada, conquistada,
Agora se torna inércia, tédio, impotência.
Melhor se afogar em mágoas se arriscando
Ou ressignificar o desejo em abandono?
Tão fácil embriagar-se de ignorâncias
Que a hipocrisia esconde-se profundamente,
Viver período de aventura camufla a tortura,
Fazendo o vento ser sentido com reflexão,
Também o sorriso aparecer em recorrência.
Sabendo então que a dúvida genuína voltará,
Trazendo perguntas impossíveis de responder,
Como possuir integridade vendo tanta dor?
Os olhos tristes irão se iludir em breve tempo,
Mas não deixarão de notar a natureza do viver,
Não se pode ter deleite, gozo, esplendor,
Sem haver sofrimento, tormento, amargor.
Existir em sobrecarga passa a ser inevitável,
Se livrar da dor seria grosseiro, ineficaz.
Melhor equilibrar pureza, dúvida e lágrimas
Do fatalmente definhar em ilusórias lástimas.
Não buscar com rigor o sentido originário,
Mas vivenciar ecos de alegria temporários.


