(Escrito em: 20 de Maio de 2026)
Jogue essas lentes para o lado
Sequer quero pensar em enxergar
Até que desapareça essa angústia
Coloque aquela música que fala
De um lugar tão melhor e calmo
Onde sonhos quaisquer se fazem
Talvez só assim eu disfarce
Ou me deixe em sopro desfazer
Rosas e grades ao mesmo mundo pertencem
De que forma posso lhe convencer
Que poderei cuidar de ti, mas não a mim?
Sozinhas as flores morrem ao relento
Esperando um ser significar tal sofrimento
Tal qual também morro sorrindo
Muitas vezes berrando e outras esvaindo
Então toque novamente aquela música que diz
Que os bons tempos ainda estão por chegar
Que estradas de tijolos amarelos
Podem nosso estranho caminho iluminar
E que qualquer remanescente irá passar…
Prometa-me momentos intensos e únicos
Que jamais saberei se são bons ou ruins
Já que irei apenas me concentrar
Em respirar calmamente e continuar
Guarde seu Deus em misericórdia para si
Quero que sua fé seja real, suficiente
Mas para mim, irei encarar o sombrio
Não quero, mas temo nele reconstituir
Quero acreditar em dúbios comportamentos
Deixar a dúvida dizer sobre suspeitos seres
Não por dar vazão a tal ingenuidade
Mas por ócio desejar melhor conformidade
Vou surfar em indiretas tortas retas possibilidades
Bote logo tal música que canta tranquilidade
Deixe o acaso afrouxar esse laço
Faça-me ilhado para bem e o ruim
Mas por favor, faça logo, faça assim…
Doce triste dor, amarga dançante, sem fulgor
Sensato foi o momento, incomum ardor
Que senti desespero por ainda viver
Por insistir em calamidades controladas
Por tentar enxergar diferença no pudor…
Faça das garrafas apenas breves refúgios
Mas em meu calor garantirá sentimento
Calamidades e tormentas não passam
Mas com distração e improviso se tornam
Insuficientes em dor por tal momento


